Antes de rodar o modelo de Marketing Mix Modeling (MMM), cada lacuna pede um tratamento específico: segundo a documentação do Meridian, valor ausente numa variável de mídia vira zero quando o canal ficou inativo, valor ausente no KPI ou num controle pede imputação em vez de zero, e, sem impressões nem cliques, o gasto serve de proxy da exposição. O que nenhum tratamento conserta é a falta de variação: segundo a trilha do PyMC-Marketing, um canal com gasto fixo semana após semana traz quase nenhuma informação sobre outros níveis de investimento, e aí a saída é testar. Com dados só de mídia online, a lacuna a cobrir primeiro é o canal significativo que ficou fora da base.
Por que dado incompleto engana o modelo
O modelo não se recusa a rodar com dados que não sustentam a pergunta: ele roda e devolve respostas confiantes e erradas, segundo a trilha de aprendizado do PyMC-Marketing, consultada em 05/10/2026. A mesma trilha dá o exemplo de um canal financiado a € 50 mil por semana durante dois anos: ali há quase nenhuma informação sobre o que aconteceria a € 30 mil ou a € 80 mil por semana.
A documentação de metodologia de inferência causal do Meridian trata a inclusão de todas as variáveis de confusão como condição para um resultado causal preciso e registra que essa condição nunca é completamente alcançada. O que o modelo atribui a um canal depende, então, de os outros fatores que movem o resultado estarem dentro dele.
A documentação do Meridian sobre depuração do modelo descreve o efeito de pouca informação: quando o modelo estima muitas variáveis com poucos pontos de dados, sobra pouca informação para cada canal, e a situação piora quando o canal tem pouco gasto, variância muito baixa ou alta correlação com os outros. Se a prior não for informativa em relação a dados que também têm pouca informação, a distribuição a posteriori fica bastante ampla, o que representa muita incerteza.
Quais lacunas são comuns e o que a documentação recomenda para cada uma
Cada linha traz a recomendação de uma fonte, com a condição dela; nenhuma é regra de mercado.
| Lacuna | O que a documentação recomenda | O que conferir |
|---|---|---|
| Valor ausente numa variável de mídia | Preencher com 0 quando o canal ficou inativo no período ou na região; o Meridian exige um conjunto completo, sem valores ausentes | Se o canal ficou inativo, e não só sem registro |
| Valor ausente no KPI ou num controle | Imputação em vez de zero: preenchimento progressivo e regressivo, interpolação linear ou média histórica da região ou do período | Se o valor imputado distorce as estimativas |
| Impressões ou cliques indisponíveis | Usar o gasto como proxy da exposição, com atenção às flutuações do custo por mídia | Se períodos de custo alto podem ser lidos como volume alto de anúncios |
| Dado só nacional | Alternativa aceitável, desde que haja pontos de dados suficientes por efeito que se quer medir; regiões com volume baixo de observações excluídas antes de ajustar o modelo | Se o dado nacional tem amostra pequena ou pouca variação no gasto de mídia |
| Gasto fixo ou pouca variação | Um canal fixo traz quase nenhuma informação sobre outros níveis de gasto; a trilha do PyMC-Marketing indica teste de lift ou variar o gasto de propósito, se os dados falham em duas ou mais das quatro checagens | Se o canal se move o suficiente para o modelo aprender algo |
| Canais que se movem juntos | Checar multicolinearidade pelo fator de inflação de variância (VIF) e agrupar os canais muito correlacionados | Se algum VIF passa do limite de 1.000 do checador do Meridian |
| Mudança de critério na coleta | Garantir consistência, tratar valores ausentes e validar a qualidade dos dados antes de modelar | Se o KPI foi medido do mesmo jeito no período inteiro |
Como tratar os dados incompletos, passo a passo
- Mapeie o que falta, por canal, período e região, e valide a qualidade. A documentação do PyMC-Marketing diz que é crucial garantir a consistência dos dados, tratar valores ausentes de forma adequada e validar a qualidade antes de montar o modelo. Para saber o que entra na base, ver os dados e o histórico mínimos para começar; quando a lacuna é de registro entre sistemas, o trabalho é de integrar dados de diferentes fontes.
- Mídia sem registro porque o canal ficou inativo: preencha com zero. A documentação do Meridian sobre coleta de dados, consultada em 05/10/2026, manda preencher com zero a mídia de um canal que ficou inativo no período ou na região.
- KPI e variáveis de controle: imputação, e não zero. A mesma documentação diz “evite preencher com 0, porque isso vai distorcer as estimativas do modelo” e indica técnicas padrão de imputação, como preenchimento progressivo e regressivo, interpolação linear ou média histórica da região ou do período.
- Sem impressões nem cliques, use o gasto como proxy. A documentação do Meridian aceita o gasto como proxy da métrica de exposição quando os dados de impressões físicas ou de cliques estão totalmente indisponíveis, e avisa que, se o modelo presume que o gasto representa exposições, períodos de custo alto podem ser lidos como volume alto de anúncios e levar a estimativas imprecisas da eficácia.
- Dado só nacional tem condição. O Meridian aceita o nível nacional como alternativa quando não há dado geográfico, desde que existam pontos de dados suficientes por efeito que se quer medir, e recomenda excluir as regiões com volume baixo de observações antes de ajustar o modelo. Sun e coautores, do Google, escreveram em 2017 que o dado agregado no nível nacional, prática usual, costuma sofrer com amostra pequena e variação insuficiente no gasto de mídia.
- Leia os alertas de qualidade antes de rodar. A análise exploratória de dados do Meridian, consultada em 05/10/2026, classifica os achados em REPROVADO, REVISÃO e INFO, e bloqueia a amostragem a posteriori até que os problemas do status REPROVADO sejam resolvidos. É ali que aparece o VIF: 1 indica ausência de colinearidade, valores mais altos indicam multicolinearidade crescente, e um VIF acima do limite padrão de 1.000 aciona o status de falha.
Dá para fazer MMM só com dados de mídia online?
A pergunta é a mesma dúvida em outro recorte: o que ficou de fora da base. O que as duas documentações pedem é cobertura: a do PyMC-Marketing manda incluir todos os canais de marketing significativos usados no período, e a do Meridian trata a inclusão de todas as variáveis de confusão como condição para um resultado causal preciso. Se a empresa usou um canal offline significativo no período e ele não entrou nos dados, essa é a primeira lacuna a conferir.
Um problema vizinho, o das variáveis de entrada muito correlacionadas, está descrito por Chan e Perry, do Google, em 2017: a regressão pode devolver coeficientes com variância alta e uma atribuição ruim das vendas ao canal, porque os dados trazem pouca informação sobre o resultado quando um canal se move de forma independente do outro. A mesma fonte registra que ajustar um modelo a uma faixa limitada de gasto expõe o anunciante a alta incerteza de extrapolação.
O que não tem conserto: quando esperar ou testar
Nem toda lacuna é de preenchimento. A trilha do PyMC-Marketing afirma que o MMM não diz nada confiável sobre um canal cujo gasto nunca se moveu, e que ele não produz resposta causal só com dados observacionais, sem experimentos ou suposições explícitas e discutíveis.
A mesma trilha propõe quatro checagens de dados e diz que, se o conjunto falha em duas ou mais delas, a ação mais valiosa não é montar um modelo, e sim rodar um teste de lift ou variar o gasto de propósito por um trimestre, para que os dados do ano seguinte respondam à pergunta. A trilha recomenda agrupar canais pequenos ou muito correlacionados antes de modelar e separá-los depois, só quando a separação mudar uma decisão, e registra que a alta correlação não desqualifica os dados, mas mostra quais estimativas ficarão incertas e onde será preciso um experimento, como um teste geográfico de incrementalidade.
Os erros que distorcem a leitura com dados imperfeitos
- Preencher com zero um KPI ou um controle. A documentação do Meridian diz que o zero nesses campos distorce as estimativas.
- Ignorar a flutuação do custo quando o gasto é o proxy. Se o modelo lê o gasto como exposição, um período de custo alto vira, no modelo, um período de volume alto de anúncios.
- Ler como efeito de um canal o que é de dois canais que se movem juntos. Chan e Perry descrevem a variância alta nos coeficientes e a atribuição ruim quando as entradas são muito correlacionadas; a extensão do histórico está em quanto histórico de dados um MMM precisa.
- Extrapolar para fora da faixa de gasto observada. A mesma fonte de 2017 registra que isso expõe o anunciante a alta incerteza de extrapolação.
Como a Purple trata dados incompletos
Criada em 2021, a Purple Metrics é uma parceira de Marketing Science que combina software de Marketing Mix Modeling (MMM), metodologia própria e especialistas para ajudar o marketing a entender o retorno dos investimentos em cada canal, prever resultados e tomar decisões que impactam o negócio.
O cliente não precisa resolver as lacunas antes de procurar a Purple: a parceria começa pela meta de negócio e pelo mapa das entregas, e depois a Purple avalia a base, orienta o que falta e apoia a organização dos dados, inclusive com IA. Segundo a Purple, o modelo precisa de dados históricos de investimento, exposição e resultado, e a avaliação de viabilidade da base confere se eles são adequados. Segundo a página de ciência da Purple, o modelo atual foi testado com 10 clientes pagantes, de indústrias e modelos de negócio variados.
Sobre a entrada, o modelo trabalha com dados agregados, sem depender de rastreamento individual por cliques, UTMs ou cookies, e, segundo a página de ciência da Purple, aceita variáveis que não geram clique nenhum, como mídia offline, canais digitais de topo de funil, mídia exterior (OOH) e PR. Contagens agregadas de cliques e impressões podem entrar quando adequadas ao modelo, e o modelo também pode incluir fatores externos ao investimento em marketing, como a cotação do dólar, conforme a relevância e a validação. A documentação da Purple recomenda cerca de 10 variáveis intermediárias por ano de histórico, sem passar muito de 20. Quando falta a métrica direta de exposição, um exemplo da própria documentação é o da Buser, que usou quilômetros rodados como proxy da exposição dos ônibus com a marca. Um time com base imperfeita pode agendar uma conversa com a Purple.
Perguntas frequentes
Dá para fazer marketing mix modeling só com dados de mídia online?
Com dados só de mídia online, o risco está no que fica de fora: um canal offline que existiu no período e ficou fora dos dados é a primeira lacuna a conferir, porque a documentação do PyMC-Marketing manda incluir todos os canais de marketing significativos usados no período.
Posso preencher com zero os dados que faltam?
Na mídia de canal inativo, sim; em KPI e variáveis de controle, não. A documentação do Meridian manda preencher com zero os valores ausentes de uma variável de mídia quando o canal ficou inativo no período ou na região, e manda evitar o zero em KPI e variáveis de controle, porque ele distorce as estimativas. Nesses casos, ela indica técnicas padrão de imputação, como preenchimento progressivo e regressivo, interpolação linear ou média histórica da região ou do período.
Dá para usar o gasto no lugar de impressões e cliques?
Dá, com cuidado. A documentação do Meridian diz que, se os dados de impressões ou de cliques estiverem totalmente indisponíveis, o gasto pode ser usado como proxy da métrica de exposição, mas avisa para considerar as flutuações do custo por mídia: se o modelo presume que o gasto representa exposições, períodos de custo alto podem ser lidos como volume alto de anúncios, o que pode levar a estimativas imprecisas da eficácia.
O que fazer quando um canal quase não varia de gasto?
Tratar a falta de variação como limite do dado. A trilha do PyMC-Marketing diz que um canal com gasto fixo semana após semana traz quase nenhuma informação sobre o que acontece em outros níveis, e que, se o plano de mídia foi estável, o modelo devolve em grande parte as priors. Já a alta correlação entre canais, segundo a mesma trilha, não desqualifica os dados, mas mostra quais estimativas serão incertas e onde será preciso um experimento.
Quando é melhor esperar ou testar em vez de montar o modelo?
Quando os dados falham em mais de uma checagem. A trilha do PyMC-Marketing diz que, se os dados falham em duas ou mais das checagens que ela propõe, a ação mais valiosa não é montar um modelo, e sim rodar um teste de lift ou variar o gasto de propósito por um trimestre, para que os dados do ano seguinte respondam à pergunta. No Meridian, o relatório de análise exploratória usa o status REPROVADO para problemas graves de dados e bloqueia a amostragem a posteriori até que eles sejam resolvidos.
Em resumo
- Trate as lacunas antes de rodar: zero só na mídia de canal inativo, imputação em KPI e controles, e gasto como proxy da exposição com atenção ao custo.
- O que o tratamento não conserta é a falta de variação: um canal com gasto fixo traz quase nenhuma informação sobre outros níveis, e a saída é testar.
- Com dados só de mídia online, o que ficou de fora da base é a lacuna a conferir primeiro, porque o PyMC-Marketing manda incluir todos os canais de marketing significativos usados no período.
- Falhando em duas ou mais checagens de dados, a ação mais valiosa é rodar um teste de lift ou variar o gasto de propósito por um trimestre.
- A Purple começa pela meta de negócio, avalia a base e orienta o que falta; o modelo, segundo a Purple, precisa de dados históricos de investimento, exposição e resultado.
Equipe Purple — conteúdo da Purple Metrics, parceira de Marketing Science. Atualizado em outubro de 2026.